sexta-feira, 1 de abril de 2011

Visão inglesa da Fotografia em 1857 por Lady Elizabeth Eastlake (esposa do diretor da National Gallery of Art de Londres)

"Fotografia é uma nova forma de comunicação entre os homens, diferente da carta, do bilhete, ou mesmo da pintura (...) Longe de ser um obstáculo para espelhar a natureza, o que é uma afirmação normalmente tão triunfante quanto equivocada, a fotografia é bonita, ingênua e valorizada em seu poder de reflexão, e ainda é sujeito de algumas distorções e deficiências, para as quais não temos remédio. A ciência entretanto, que desenvolveu as pesquisas para a fotografia, traiu-a gloriosamente em seus defeitos. Quanto mais perfeitamente você se submete a uma máquina imperfeita, mais essas imperfeições virão `a tona: é desnecessário perguntar se a arte foi beneficiada, pois a natureza, sua única fonte e modelo, foi acuradamente imitada."

Sobre Arte e Fotografia no Salão de 1859 - Charles Baudelaire

"Nestes tempos deploráveis, surgiu uma nova indústria, que muito contribuiu para confirmar a tolice na sua fé e para destruir o que se podia restar de divino no espírito francês. Essa multidão idólatra postulava um ideal digno de si e apropriado `a sua natureza, isso é evidente (...) Creio na natureza, e apenas na natureza (há boas razões para isso). Creio que a arte é e não pode ser senão a reprodução exata da natureza (uma seita tímida e dissidente quer que os objetos repugnantes sejam afastados, como por exemplo, um urinol ou um esqueleto). Assim, o engenho que nos desse um resultado idêntico `a natureza seria a arte absoluta. (...) Um Deus vingativo atendeu os pedidos dessa multidão. Daguerre foi seu Messias. E então ela diz pra si mesma: 'Já vi que a fotografia nos dá todas as garantias desejáveis de exatidão (eles acreditam nisso, os insensatos), a arte é a fotografia.' A partir desse momento, a sociedade imunda precipitou-se, como um único Narciso, para contemplar sua trivial imagem sobre o metal. Uma loucura, um fanatismo extraordinário apoderou-se de todos esses novos adoradores de Sol. (...) Como a indústria fotográfica era o refúgio de todos os pintores fracassados, sem talento ou demasiado preguiçosos para concluírem seus esboços, essa mania coletiva possuía não só o caráter da cegueira e da imbecilidade, mas assumia também o gosto de uma vingança. (...) Se se permitir que a fotografia substitua a arte em algumas de suas funções, em breve ela suplantará - ou a corromperá - completamente, graças `a aliança natural que encontrará na estupidez da multidão. É necessário, portanto, que ela se limite a seu verdadeiro dever, que é ser a serva, como a imprensa e a estengrafia, que não criaram nem substituíram a literatura. Que enriqueça rapidamente o álbum de viajante e restitua a seus olhos a precisão que faltaria`a sua memória, que enfeite a biblioteca do naturalista, amplie os animais microscópicos, até fortaleça com algumas informações as hipóteses do astrônomo, que seja, enfim, a secretária e o bloco de notas de quem quer que necessite de uma absoluta exatidão material em sua profissão, até aí nenhuma objeção. Que salve do esquecimento as ruínas pendentes, os livros, as estampas, os manuscritos que o tempo devora, as coisas preciosas cuja forma vai desaparecer e que exigem um lugar nos arquivos de nossa memória, se lhe agradecerá e aplaudirá. Mas se for permitido invadir o campo do impalpável e do imaginário, aquilo que vale somente porque o homem aí acrescenta algo da própria alma, então pobre de nós!"

terça-feira, 29 de março de 2011

aula magna com Eder Chiodetto

 muuuuuuitas referências e um panorama geral do cenário fotográfico brasileiro...
Thomas Farkas - "Telhas"
Luis Humberto - Presidente Médici em Brasília
German Lorca - "Pernas" 1970
Cláudia Andujar - da série "Sonhos"
Alexandre Sequeira - pinhole em Belém do Pará
"Paisagem Submersa" - Os fotógrafos mineiros João Castilho, Pedro David e Pedro Motta oferecem uma viagem embaixo d'água. Retratos de sete municípios inundados do nordeste de Minas Gerais para a construção do lago da Usina Hidrelétrica Presidente Juscelino Kubitschek (Irapé), no leito do Rio Jequitinhonha. 

terça-feira, 1 de março de 2011

Ponto de Vista

 "O fotógrafo não tem a possibilidade de criar uma cidade até então inexistente em redor de uma colina, tornando-a visível por meio de algumas pinceladas, acrescentar uma ou duas torres a uma edificação sumptuosa, ou ainda eliminar o cume de uma montanha. Ele deve reproduzir aquilo que vê, exatamente da maneira que vê, sendo a escolha do ponto de vista o único privilégio à sua disposição". H.J. Morton, séc. XIX


Apesar de discordar que o ponto de vista seja a única ferramenta `a mão do fotógrafo, esta frase resume bem um dos pontos fulcrais em fotografia, que é a capacidade de selecionar e dispor os elementos que compõem uma imagem. Esta capacidade depende em grande parte do ponto de vista do fotógrafo. O local onde este se coloca para registrar uma cena é de extrema importância para a composição daí resultante. Por vezes, uma pequena alteração no posicionamento da câmera afeta quer o equilíbrio, quer a estrutura e a iluminação dessa composição.

A composição fotográfica é a maneira de enquadrar os elementos do tema fotografado - formas, linhas de força, escolha de planos, tons e cores - de acordo com os princípios estéticos de cada fotógrafo. Uma boa imagem depende muito mais destes fatores do que da qualidade da câmera fotográfica.


Krystof Guez - 1995

autor anônimo


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Alberto Caeiro - XLIII

"Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.


A recordação é uma traição da Natureza.
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.


Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!"